Corrimento ou secreção vaginal

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Como ginecologista, obstetra e mulher de fé, vejo o corpo feminino como uma obra-prima planejada a cada detalhe pelo Criador. No meu consultório, noto que muitas mulheres sentem vergonha ou ansiedade perante as mudanças naturais do próprio corpo. Uma das maiores dúvidas diz respeito à secreção vaginal: afinal, o que é uma manifestação saudável do templo do Espírito Santo e o que indica que algo precisa de tratamento?

Abaixo, explico como distinguir a secreção normal do corrimento patológico ao longo de todas as estações da nossa vida.

Infância: A Fase da Pureza e da Proteção

Antes da puberdade, os níveis de estrogênios são muito baixos.

  • O que é normal: Uma secreção mínima, transparente ou ligeiramente esbranquiçada, sem odor. Ela serve apenas para proteger a pele sensível da vulva.
  • Sinais de alerta: Secreção amarelada, esverdeada, com sangue ou odor forte. Geralmente, está associada a higiene inadequada, uso de sabonetes com perfume ou introdução acidental de pequenos objetos.

Anos Reprodutivos: O Ritmo do Ciclo

Esta é a fase da fertilidade, onde os hormônios mudam constantemente, como as estações do ano.

  • O que é normal:
    • Início do ciclo: Fluido escasso e pegajoso.
    • Período ovulatório: Fluido elástico, semelhante à clara de ovo. É o sinal biológico da fertilidade.
    • Final do ciclo: Fluido mais espesso e esbranquiçado.
  • Sinais de alerta: Secreções acompanhadas de comichão, ardor ao urinar, dor na relação íntima ou cheiro fétido (semelhante a peixe podre).

Gravidez: O Milagre da Vida

Gerar uma vida transforma profundamente o corpo da mulher.

  • O que é normal: Um aumento acentuado da secreção vaginal (leucorreia da gravidez). Ela é fluida, esbranquiçada e sem odor. Ocorre devido ao aumento do fluxo sanguíneo e dos hormônios na região pélvica.
  • Sinais de alerta: Aspeto grumoso (como leite coalhado), cor acastanhada, esverdeada ou perda de líquido transparente em grande quantidade (que pode indicar rutura da bolsa).

Menopausa: O Tempo da Sabedoria

Nesta fase, a produção de estrogênio diminui drasticamente, trazendo novos desafios à saúde íntima.

  • O que é normal: A vagina torna-se mais seca. A secreção natural reduz-se ao mínimo, podendo causar uma sensação de desconforto ou irritação mecânica devido à atrofia.
  • Sinais de alerta: Secreção amarelada ou acastanhada com odor desagradável. Sem a proteção do estrogênio, o pH vaginal altera-se, tornando a mulher mais suscetível a infeções bacterianas.

Guia Rápido: Normal x Patológico

  • Secreção Fisiológica (Saudável)
    • Transparente ou esbranquiçada.
    • Sem odor forte.
    • Textura varia com o ciclo.
    • Não causa dor.
    • Não causa comichão.
  • Corrimento Patológico (Doença)
    • Cores: cinzenta, verde, amarela.
    • Odor fétido ou azedo.
    • Textura de leite coalhado.
    • Causa comichão intensa.
    • Provoca ardor ou dor.

Cuidar do Templo com Sabedoria

Cuidar da saúde ginecológica é também uma forma de honrar a Deus. O aparecimento de um corrimento patológico não é motivo para vergonha; a maioria das infeções (como a candidíase ou a vaginose bacteriana) decorre de desequilíbrios na flora vaginal causados por estresse, baixa imunidade ou uso de roupas demasiado apertadas.

Se notar alterações na cor, odor ou textura da sua secreção, agende uma consulta. Conhecer o seu corpo e procurar ajuda médica é um ato de amor-próprio e de responsabilidade com a vida que Deus lhe confiou.

“Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de si mesmos? (…) Portanto, glorifiquem a Deus com o seu próprio corpo.” 1 Coríntios 6:19-20

Eidi Reis

Eidi Reis

Filha, esposa, mãe de 4 filhos, médica, empresária, professora universitária e palestrante. Formada pela Universidade Severino Sombra, em Vassouras – RJ, Turma LIV 2000. Possui Especializações em Saúde da Família pela Universidade de Brasília; Fitoterapia pelo Hospital de Medicina Alternativa de Goiânia – GO; Homeopatia pelo Instituto de Saúde Integral em Brasília – DF; Sexologia pelo Cesex; e Medicina Estética pelo ISBRAE/ASSIME. Realizou Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia na Regional de Saúde de Sobradinho – DF.

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