Fim de ano. Festas de Natal, amigos secretos, confraternização de empresas, reuniões de família, viagens. Dezembro inspira fim, mas também recomeço. Dezembro inspira um olhar para trás, um auto feedback, esperança, listas de resoluções de ano novo, metas, e também inspira gratidão.
Desde que me lembro, todo Natal e Ano Novo, quando criança, passei dentro da igreja. Hoje, nem sempre é assim. Mas antes era. Lembro de cantarmos hinos sobre ano que se findava, Salvador que nascia, gratidão por tudo o que havia se passado. Quando somos crianças, esse clima de paz, alegria e luzes coloridas são fascinantes! É algo que inebria os pensamentos, até mesmo ações, e cria uma esperança sólida nos corações. Que delícia entrar em um novo ano. Que delícia olhar para trás, e especialmente para frente e ver o leque de possibilidades que se abriria. Entretanto, depois da maturidade, as coisas mudam bastante de figura.
As festas de fim de ano, nem sempre são especiais, porque descobrimos que é só um momento que passa. O ano novo não vem somente com novas oportunidades, mas também com novos boletos, problemas antigos, e nem tudo é novo, brilhante e colorido – na verdade, poucas coisas o são. E, ao olhar para trás, ao invés do pensamento infantil de coisas legais que aconteceram, começamos a enxergar as tristezas que passamos, as dificuldades, as pessoas que se foram, as oportunidades que perdemos, as dores que sentimos. Ao olhar para a frente, vemos as pessoas que podem ir embora esse ano, os problemas que não acabaram, as dívidas que se somam, o sentimento de tristeza recorrente. Realmente é muito difícil entrar em um novo ano com boas expectativas, enquanto tudo o que vemos são os problemas de sempre e as feridas ainda abertas.
Essa semana, participei de um culto de ação de graças da escola em que trabalho. Todo ano minha empresa cristã tem esse lindo costume. O pastor que pregou no culto desse ano foi um homem simpático e engraçado. Entre piadas e risadas, ele entrou na história do apóstolo Paulo e dos seus conselhos de dar graças em todas as coisas, de se regozijar o tempo todo no Senhor. E então, ele nos lembrou da vida do apóstolo Paulo. Uma vida de dores, lutas, perseguições, transformação, solidão, trabalho árduo, poucas ou quase nenhuma vitória real e palpável. Sim, pessoas se convertiam, igrejas eram formadas, mas o apóstolo Paulo não foi um homem rico, com saúde impecável, com uma linda esposa e filhos, comida farta sempre à mesa e cercado de amigos. Muito pelo contrário. Ainda assim, ele diz em sua primeira carta aos tessalonicences: EM TUDO DAI GRAÇAS, PORQUE ESTA É A VONTADE DE DEUS EM CRISTO JESUS PARA CONVOSCO. (1 Ts 5:18). Não é no mínimo curiosa essa palavra do apóstolo Paulo? Dar graças pelo quê, exatamente, apóstolo? Pelas lutas, pelos familiares que perdemos, pelas dores, pelo carro velho, pela falta de dinheiro, pelos sonhos que não realizamos? Sim!!! E também por todas as coisas boas que te (e me) aconteceram esse ano, mas que nos são tão abafadas pelas coisas ruins. Pense um pouco.
Às vezes, quando algo REALMENTE ruim acontece, sentimos como se nunca mais pudéssemos ser felizes ou gratos de novo. É como se a vida continuasse acontecendo, e em meio a pequenas alegrias e desafios, apenas existíssemos. Mas essa não é a vontade de Deus, sabe por que? Porque DEUS TE AMA MUITO! Deus não nos criou para sermos pobres criaturas infelizes. Claro, Jesus disse que no mundo teríamos aflições, e as temos! E sempre, sempre as teremos. Porém, ao olhar para a Palavra de Deus, consigo ver muito mais Deus nos mandando ter motivos para nos alegrar, trazer à memória o que nos dá esperança, viver em paz uns com os outros, cantar salmos, sorrir e tratar a todos com amor, dividir o pão e festejar, do que afirmar as tristezas, derrotas e angústias desse mundo tenebroso. Querida, ainda que vivamos num lugar de dores, tragédias, catástrofes, doenças e morte, nós somos chamadas para o ministério da ALEGRIA, DA ESPERANÇA E DA GRATIDÃO. Nós não somos desse mundo, e isso quer dizer que nós não temos parte com nada do que existe nesse mundo. Sofremos, caímos, levantamos, sacudimos a poeira e continuamos.
Portanto, seja grata em tudo. Termine o ano com um nova atitude, com a atitude de uma filha e serva do Deus Altíssimo, o Pai da alegria e da esperança. Deus espera que nós andemos na contramão do que nos acontece. Podemos ser gratas mesmo pelas coisas que perdemos e pelas coisas que doem fundo na alma. Isso, porque, a Graça de Cristo nos basta, porque as suas doces misericórdias se renovam a cada manhã sobre nós, porque Ele disse que iria nos preparar um lugar no céu para morarmos com Ele, um dia.
Os motivos de tristeza podem ser, muitas vezes, sufocantes, mas os motivos de alegria e gratidão, devem superar todos os outros se realmente entendermos o quão agraciadas somos por JESUS.
“Ano findo nunca mais veremos, ano novo hoje recebemos. Vê, vê o belo dom que Deus nos dá”.