Ester é um nome persa que significa estrela. Ester era também conhecida como Hadassa, que no hebraico significa murta. Alguns estudiosos associam o nome de Ester à deusa Istar, suprema deusa do amor dos babilônios. Os judeus tinham um costume singular no que tange aos nomes: mesmo morando em países distantes, exilados, sempre usavam um nome hebraico, religioso e nacional, e um nome na língua do povo das suas peregrinações. Daí a razão dos dois nomes de Ester, com significados distintos em cada língua.
Órfã em uma terra estranha, demonstrou grande coragem em meio a uma crise. Antes de arriscar a vida por seu povo, humilhou-se mediante o jejum e, depois, colocou sua considerável beleza, graça social e sabedoria a serviço do plano de Deus. Mas há um pano de fundo que precede a história de Ester e é preciso refletir sobre a história que prepara o caminho para as cenas que se desencadeiam no livro de Ester, tendo a mesma como protagonista. O drama inicia-se com outra mulher, também rainha, cujo nome é Vasti. O resumo da história diz que Vasti, mulher do rei Assuero, recusou-se a obedecer a uma ordem do marido e foi destituída de sua posição de rainha para que fosse encontrada “outra melhor do que ela”.
Não sabemos todos os detalhes da exoneração de Vasti, mas sabemos que por trás dos fatos Deus reina com absoluta soberania e está sempre trabalhando na vida de seu povo, o primeiro passo de seu plano perfeito foi remover a rainha a fim de abrir caminho para Ester. A expulsão de Vasti abriu uma vaga para o trono e as portas do palácio para Ester, uma judia humilde, desconhecida e plebeia. Ester, uma jovem judia da tribo de Benjamim, foi levada para a Babilônia, onde seu povo trabalhava como escravo por volta do ano 600 a.C. Foi criada pelo primo Mordecai que a adotou quando os seus pais morreram. Era uma mulher de extraordinária beleza física, e recebeu sabedoria de Mordecai e tratamento preferencial de Hegai, no palácio.
A coragem de Ester é evidenciada no casamento com um rei pagão temperamental. Esta linda judia amava a Deus e quando tomou conhecimento de uma conspiração para matar todos os judeus, ela sabia que precisava comparecer, sem ser chamada, diante do marido e suplicar pela vida de seu povo. O plano de Ester pôs sua vida em risco, porque quem se apresentasse diante do rei sem ser convidado (até mesmo a esposa) arriscava-se a morrer. Porém, a coragem de Ester, sustentada pela fé que tinha em Deus, a fez afirmar com ousadia: “Se perecer, pereci.” O ato heroico de Ester foi inspirado na necessidade urgente de agir em favor do povo de Deus e em sua fé destemida no Deus que ela amava. O resultado é que a vida de Ester foi poupada, e a do povo de Deus também.
Ela preferiu identificar-se com o povo de Deus, mesmo que isso significasse arriscar a vida. Embora o exílio fosse uma punição por causa da prolongada infidelidade de Israel, Deus mostrou que continuava com seu povo, livrando-o e protegendo-o de maneiras surpreendentes, mudando a sorte do inimigo numa série de reveses impressionantes. Os poderes terrenos estavam operando para matar e destruir, mas um poder celestial, bem maior, trabalhava para salvar e preservar.
Deus usa, com frequência, pessoas improváveis para cumprir seus propósitos. Ele elevou uma órfã judia à posição de rainha de um grande império. Ester começa como uma ninguém e se torna alguém, uma mulher que arrisca a vida para resistir. Deus revela novamente sua tendência de usar as pessoas mais improváveis e comuns para cumprir seus propósitos divinos. E às vezes nos perguntamos se Deus nos usaria, algum dia, para cumprir os propósitos dele, com todos os defeitos e as imperfeições que temos, com a falta de talento ou de influência… Deus pode! Ele não busca pessoas perfeitas, talentosas e influentes. Está em busca de pessoas dispostas.
“Porque, se de todo te calares agora, de outra parte se levantará para os judeus socorro e livramento, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se para conjuntura como esta é que foste elevada a rainha”? (Ester 4.14).