Aprendendo com as mulheres da Bíblia – Rute

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Rute significa amizade ou satisfeita. Nasceu em Moabe, um país vizinho de Israel, mas  não havia uma convivência pacífica entre eles, no entanto, Deus tinha planos para a inclusão dos moabitas na história particular do povo escolhido. Foi assim que Rute conheceu uma família de imigrantes judeus, que estava em busca de melhores condições de sobrevivência, pois a fome era extrema entre eles, em Belém.

O filho mais velho de Noemi e Elimeleque era frágil e sem muita vitalidade, fazendo jus ao seu nome Malom. Casou-se com a moabita Rute e não tiveram muitos anos de vida em comum, vindo a falecer algum tempo depois. Todos os homens da família morreram de forma precoce e de uma hora para outra Rute viu-se sem marido, sua sogra também viúva e Ofra, sua cunhada também amargando a solidão da viuvez. Então Noemi decidiu voltar para sua terra, por ouvir que o Senhor havia se lembrado do seu povo e dado fartura de pão novamente.

De acordo com Kuyper (2022, p. 147) Rute não era mais uma mulher jovem quando acompanhou Noemi. Quando a comparamos a Noemi, tendemos a pensar que ela era bem moça, mas não tão jovem quanto supomos.  Portanto, ao se casar com Boaz já não tinha o frescor da juventude, mas ainda estava fértil e lhe deu um filho, Obede, que veio a se tornar o avô do rei Davi.

Noemi não tratou as noras de forma diferenciada quando sugeriu que elas não deveriam segui-la para a terra de onde havia saído venturosa e estava voltando cheia de amargura, mas Orfa rejeitou a Graça em seu coração e voltou para os deuses de seus pais enquanto que, Rute, apegou-se à sua sogra, movida pela fé que já ardia nela e se recusou a voltar. Era sua decisão e confessou que doravante sua vida e morte seriam na companhia do povo de Deus: “Não me instes para que te abandone, e deixe de seguir-te; porque aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus; Onde quer que morreres morrerei eu, e ali serei sepultada. Faça-me assim o Senhor, e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti” (Rute 1.16-17). Deus usou a afeição de Rute por Noemi como um meio de Graça, sendo Noemi o elo com o qual Deus uniu Rute para sempre com Seu povo e Seu Messias.

Quando Rute e Noemi chegaram a Belém, era época da colheita. Elas não teriam oportunidade de plantar o próprio cereal nem de colhê-lo. Desse modo, a não ser que houvesse outra maneira de obter alimento, as duas passariam fome. Noemi conhecia as leis mosaicas e insistiu com Rute que fosse atrás dos segadores, “rebuscando”, ou colhendo, o que deixassem cair. Dessa forma, Rute obteria alimento para as duas.

As leis de Moisés ordenavam aos proprietários que deixassem parte da colheita no chão para os “pobres e estrangeiros”. Como moabita, sem ninguém que a sustentasse, Rute preenchia ambas as categorias. Os segadores não deveriam colher as extremidades dos campos, nem passar novamente por ele para apanhar o que fora deixado da primeira vez. Esses grãos deviam ser deixados para os pobres (Lv 19.9; 23.22; Dt 24.19-22). Esse “sistema de ajuda”, estabelecido por Moisés, cuidava dos necessitados e encorajava os ricos senhores de terras a compartilhar suas benesses com os menos afortunados. Mas, não era de graça. Os pobres tinham de trabalhar pelo sustento, seguindo atrás dos segadores e apanhando o que deixavam. Quando Boaz deu ordens aos segadores para deixar deliberadamente hastes de cereais para serem apanhadas por Rute, ele ultrapassou a letra da lei.

Rute seguiu os ceifeiros até um campo em Belém, para sustentar sua sogra e ela mesma. Por fazer isso em humilde obediência, Deus a abençoou. Ela entrou nos campos de Boaz. Todos eram favoráveis a ela; todos a ajudaram. Mais tarde, quando Noemi ouviu da simpatia demonstrada por Boaz, ela se perguntou se era seu parente e se ele não estaria disposto a se casar com Rute, que se conformou aos desejos de sua sogra. Em tudo, mesmo nos momentos mais difíceis, Rute exerceu obediência total. Dessa forma, Deus teceu o fio da sua vida no tecido da história do Seu povo.

Tudo o que Rute fez foi por amor à sogra e ao Deus de Noemi. Ela fizera uma promessa, na estrada para Belém, que tinha a determinação de cumprir. Embora fosse uma promessa feita de uma mulher para outra, ela é muitas vezes citada em cerimônias nupciais como uma expressão eloquente de amor e de fidelidade entre os cônjuges.

Mas a fidelidade de Rute ao Deus de Israel e a maneira como abençoou a Noemi tornaram-se uma bênção em sua própria vida. Por meio de Boaz, Deus honrou a fidelidade e lealdade de Rute a Noemi e a Ele mesmo. E a lição que fica é que se formos fieis e leis a Deus em meio a quaisquer circunstâncias, Deus mostrará Sua fidelidade leal para com as nossas vidas.

Luzelucia Ribeiro Da Silva

Luzelucia Ribeiro Da Silva

Professora, pastora, escritora, capelã hospitalar e psicanalista. Licenciada em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena-SP (1987); Bacharel em Teologia pelo Instituto Bíblico das Assembleias de Deus em Pindamonhangaba-SP (1980), Ciências Teológicas pela Faculdade Boas Novas, Manaus-AM (2012); pós-graduada em Docência do Ensino Superior (AVM) (2009) e Revisão de Texto (2012). Com diversas obras publicadas como Tributo ao IBAD – 2002; Mulheres da Bíblia – 2002; Escola Dominical: a formação integral do cristão – 2008 (coautoria com Berenice Firmino Reis Araújo); Mulheres do Novo Testamento – 2011; Fundamentos da Educação Cristã – 2018; Memórias do IBAD – 2021; Rute & Ester: a fé e a coragem das mulheres - 2021 (coautora com Berenice Araújo); Jó, Provérbios, Eclesiastes e Cântico dos Cânticos (2024); comentarista das Revistas da Escola Dominical: Maturidade e Mordomia do Cristão (2013); Rute & Ester: a fé e a coragem das mulheres (2021) e Jó, Provérbios, Eclesiastes e Cântico dos Cânticos (2024). É membro da Academia Evangélica de Letras do DF – AELDF/DF.

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