Aprendendo com as mulheres da Bíblia – Miriã

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Miriã ou Maria foi uma profetisa e cantora de Israel. Quando ainda jovem, ela mostrou ter espírito forte e sabedoria. Ela foi aquela menina que vigiava o cesto onde estava seu irmão Moisés, numa das margens do rio Nilo, sendo ela quem indicou sua própria mãe para ama do menino e depois da passagem pelo mar Vermelho, foi chamada de profetisa, porque o Espírito de Deus a tomou para entregar uma mensagem profética, para o povo de Israel, quando dirigiu o cântico triunfal das mulheres, com muita empolgação, pela vitória de Israel sobre Faraó. Foi, portanto, uma líder do povo de Deus num momento crucial da história, e ela compartilhou com o seu povo a jornada de quarenta anos no deserto.

Havia uma relação íntima entre Miriã e Arão, que durou toda a vida dela, e talvez seja perceptível aqui um pouco de ciúme do irmão mais novo, que fora criado no palácio de Faraó e que em sua primeira aparição pública teve que emigrar para Midiã. Enquanto isso, Miriã e Arão viviam juntos em sua casa e os dois não tiveram muita convivência com Moisés, até que Deus o designou para libertar o Seu povo da escravidão em que se encontrava no Egito. No deserto do Sinai, Miriã e Arão se opuseram a Moisés sob o pretexto de ele ter se casado ilegitimamente com uma mulher cusita. Nessa oposição, foi Miriã quem tomou a iniciativa e sobre ela caiu a terrível maldição da lepra, tendo que ficar sete dias longe do acampamento. Embora Miriã e Arão também fossem líderes, em Israel, não tinham o direito de contestar e opor-se a Moisés diante de Deus, resultando no castigo de Miriã. Deus não deixa de punir os que maltratam e desrespeitam seus servos.

De acordo com alguns escritores, os dias mais brilhantes da vida de Miriã foram, portanto, não aqueles do deserto do Sinai ou Cades, mas aqueles que ela passou perto do mar Vermelho. Foi nos dias seguintes que Moisés, voltando da experiência da sarça ardente, revelou aos escravos hebreus a vontade de Deus para eles, mostrando ao Faraó seus sinais. Quando deixaram o Egito e cruzaram o mar Vermelho, não há menção ao ciúme de Miriã por seu irmão mais novo. Então, ela acreditou no chamado de Moisés. Como profetisa, ela foi acrescentada a Moisés e Arão em seu empreendimento comum. Ela assumiu seu lugar à frente das mulheres de Israel e cantou louvores a Deus com entusiasmo nas dunas do mar Vermelho. Deve ter sido uma cena impressionante. Israel está seguro na outra margem. Faraó, seus homens e seus cavalos foram engolidos pelas águas. Moisés reuniu os homens e Miriã fez o mesmo com as mulheres. Então, em um coro magnífico de instrumentos e vozes eles irromperam em louvores ao Senhor. Miriã foi à frente, seu rosto voltou a brilhar e, segurando um pandeiro na mão e acompanhada pelas outras dançarinas, ela respondeu: “Cantarei ao SENHOR, porque gloriosamente triunfou; lançou no mar o cavalo e o seu cavaleiro” (Êxodo 15.1).

A história de Miriã oferece um exemplo extraordinário da disposição de Deus para oferecer perdão aos pecadores. Embora tivesse de sofrer as consequências por seus atos – sete dias de exclusão do acampamento longe de todos os que amavam -, ela voltou como uma mulher perdoada. Centenas de anos mais tarde, Miriã é lembrada pelo profeta Miqueias como líder de Israel junto a Moisés e Arão (Mq 6.4).

E com isso aprendemos que tal perdão libertador está também à nossa disposição, como esteve disponível a Miriã. Deus olha nosso pecado em julgamento, espera pacientemente que nos arrependamos e oferece, desejando ardentemente que recebamos, seu perdão e aceitação. Nosso arrependimento transforma um legado de juízo e castigo em um legado de perdão e de valor diante de Deus.

Luzelucia Ribeiro Da Silva

Luzelucia Ribeiro Da Silva

Professora, pastora, escritora, capelã hospitalar e psicanalista. Licenciada em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena-SP (1987); Bacharel em Teologia pelo Instituto Bíblico das Assembleias de Deus em Pindamonhangaba-SP (1980), Ciências Teológicas pela Faculdade Boas Novas, Manaus-AM (2012); pós-graduada em Docência do Ensino Superior (AVM) (2009) e Revisão de Texto (2012). Com diversas obras publicadas como Tributo ao IBAD – 2002; Mulheres da Bíblia – 2002; Escola Dominical: a formação integral do cristão – 2008 (coautoria com Berenice Firmino Reis Araújo); Mulheres do Novo Testamento – 2011; Fundamentos da Educação Cristã – 2018; Memórias do IBAD – 2021; Rute & Ester: a fé e a coragem das mulheres - 2021 (coautora com Berenice Araújo); Jó, Provérbios, Eclesiastes e Cântico dos Cânticos (2024); comentarista das Revistas da Escola Dominical: Maturidade e Mordomia do Cristão (2013); Rute & Ester: a fé e a coragem das mulheres (2021) e Jó, Provérbios, Eclesiastes e Cântico dos Cânticos (2024). É membro da Academia Evangélica de Letras do DF – AELDF/DF.

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