Maria era uma virgem, de família pobre, que morava em um povoado obscuro da Galileia. Sua reação a Gabriel revela que era uma jovem de fé e de humildade singulares. Sua aceitação absoluta do plano de Deus para sua vida envolveu grande risco e sofrimento pessoal. Ela deve ter passado por períodos de confusão, de medo e de trevas no desenrolar dos eventos de sua vida. Ela é honrada não só por ser a mãe de Jesus, mas também como sua primeira discípula.
Pouco antes do casamento de Maria com José apareceu-lhe o anjo Gabriel, onde ela estava, e disse-lhe” “Salve, agraciada; o Senhor é contigo, bendita és tu entre as mulheres”. E, anunciou-lhe, que por um milagre de Deus, seria ela a mãe do Messias. Depois de ouvir as considerações feitas pelo anjo, acerca do nascimento de seu filho, mediante essas palavras graciosas, disse Maria: “Eis aqui a serva do Senhor, cumpra-se em mim segundo a tua palavra”.
É interessante pensar no tipo de mulher que Deus escolheu para ser “agraciada” ou “favorecida”, conforme lemos em Lucas 1.28. Essa mulher tinha os atributos requeridos por Deus para carregar no ventre o Deus que se fez carne, para amar e cuidar dele como seu primogênito, para educá-lo no conhecimento do Senhor Deus, para ser a mãe de seu precioso e unigênito Filho.
Era uma virgem casta. O profeta Isaías afirmou que o Filho de Deus nasceria de uma virgem (Is 7.14). A jovem Maria era uma mulher pura e piedosa.
Era uma moça humilde. Nascida no povoado de Nazaré, Maria era uma moça provinciana, não uma princesa de uma poderosa nação, nem uma moça da alta sociedade nascida em uma metrópole.
Era uma seguidora devota. Deus sempre vê o coração, não o exterior (1Sm 16.7). Quando olhou para Maria, Ele encontrou nela uma mulher obediente, que vivia de acordo com a sua vontade (At 13.22).
Uma judia fiel. Pertencente à tribo de Judá e à linhagem de Davi, Maria adorava ao único e verdadeiro Deus e, aparentemente, o adorava em espírito e em verdade (Jo 4.24). Somente uma mulher assim estaria qualificada para ser escolhida por Deus para tão nobre missão.
Maria conhecia Deus somente pelos livros de Moisés, dos Salmos e dos Profetas, porém, era reverente ao Senhor em seu coração. Ela foi escolhida por Deus, porque achou graça diante dele. Sua vida santa e humilde agradou tanto ao Senhor que Ele a escolheu para tão sublime missão: a de ser mãe do Salvador.
Ser a mãe do Salvador implicaria em ter uma espada penetrando-lhe com mais agudez na alma, quando aos pés da cruz, contemplou seu Filho ali pendurado, como um malfeitor. O sofrimento de Maria atingiu o auge naquele momento. Junto com Jesus ela bebeu o cálice da amargura, a taça do sofrimento, até a última gota. Foi terrível e profunda aflição que Maria sofreu ao ver seu Filho rejeitado e crucificado. Assistiu toda sua agonia, ouviu todo escárnio e zombaria que diziam dele debaixo de um sol causticante, e que as horas mais pareciam uma eternidade. Maria permaneceu ao pé da cruz, sofrendo com Ele, até o último instante. Suportando tudo porque estava à disposição de Deus, e era sua mãe. É difícil pôr em palavras a agonia que Maria deve ter sentido enquanto via o filho morrer. Observar a aflição dela deve ter aumentado o tormento de Jesus. Na verdade, mulher alguma, desde Eva, fora tão abençoada como ela, e experimentara também um sofrimento tão terrível, por ser a mãe do Messias.
A Maria restava a esperança de um dia estar entre os remidos pelo sacrifício de Jesus, movendo-se em concerto ao redor do trono do Altíssimo, cantando o mesmo hino de louvor. E veria novamente o Filho, e desta vez, seriam as mãos dele que enxugariam sua derradeira lágrima!