Aprendendo com as mulheres da Bíblia – Bate-Seba

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O nome Bate-Seba significa filha de juramento ou filha de opulência (1Cr 3.5). Era filha de Eliã e seu marido chamava-se Urias, sendo os dois integrantes do famoso grupo dos trinta heróis do rei Davi (1Cr 11.41; 2Sm 23.34). A beleza de Bate-Seba a tornou vítima do desejo de um rei. Embora seja difícil discernir seu verdadeiro caráter, ela parece ter encontrado coragem para suportar a tragédia, ganhar a confiança do rei e para, mais tarde, garantir o reino a seu filho Salomão.

A nação de Israel era famosa por suas guerras com os povos vizinhos e Davi herdou do seu antecessor muita terra para ser conquistada, portanto, vivia constantemente guerreando e quando não ia para a frente da peleja, enviava suas tropas e ficava em Jerusalém. Desta feita, Joabe, comandante dos exércitos de Israel, estava sitiando Amom, mas Davi ficou em casa.

De acordo com Kuyper, Davi notou Bate-Seba quando a viu tomando banho, enquanto ele caminhava no telhado de sua casa. Devemos supor que Bate-Seba tenha percebido que estava se banhando em um local onde pudesse ser observada. Provavelmente, foi na sacada, encontrada na maioria das casas no leste, em vez de no telhado. O ar passa por lá e é um lugar agradável para se estar, principalmente ao entardecer. À meia-luz, Davi notou a figura de uma jovem banhando-se no jardim de uma casa murada abaixo dele. Inclinou-se sobre o peitoril do terraço para ver melhor. Davi esperou e vigiou, mas nem o rei podia enxergar através das paredes.

Nos dias que se seguiram, Davi fez indagações e descobriu que a visão tinha um nome: Bate-Seba, mulher de um dos seus soldados, Urias, o heteu. Mandou buscá-la. Ela atendeu ao chamado, o rei dormiu com ela, e a mulher engravidou. Com medo de ser descoberto, Davi mandou que Urias retornasse da batalha. Mas o soldado surpreendeu-o quando recusou passar a noite com a esposa. Então Davi arquiteta o plano maligno que manchou seu caráter, sua vida e sua história. Davi entregou ao marido de Bate-Seba uma carta a Joabe, comandante do exército. Ela dizia: “Ponde Urias na maior força da frente da peleja; e deixai-o sozinho, para que seja ferido e morra” (2Sm 11.15). Que covardia do homem que seria considerado o “homem segundo o coração de Deus”!

É interessante observar que Bate-Seba, por certo, tinha acabado de completar seu período mensal. O fluxo de sangue terminara, e ela precisava agora purificar-se. Deve ter ficado de pé numa bacia de água ou junto dela e, usando uma esponja ou pano para limpar-se, espremia a esponja despejando água sobre o corpo para enxaguá-lo ou derramava nele água de uma vasilha. Nos dias de Bate-Seba, o banho quase não acontecia com o propósito de limpeza física – as pessoas daquela época não tinham praticamente conhecimento das doenças e germes que podiam espalhar-se por causa da sujeira. O banho geralmente tinha o caráter de tornar a pessoa ritualmente limpa depois de um período de impureza.

As Escrituras mencionam limpeza com água centenas de vezes, a maioria referindo-se à purificação ritual em vez de física. A purificação tinha lugar depois de o indivíduo ficar curado de muitos tipos de doenças de pele, conforme Levítico 14.8;  e depois de homens e mulheres terem fluxos incomuns (Lv 15.13). Os homens e mulheres tinham de lavar-se depois do intercurso sexual a fim de ficar cerimonialmente limpos (Lv 15.18). Os sacerdotes purificavam-se antes de oferecer sacrifícios (Êx 29.4; Lv 8.6), e os próprios sacrifícios eram lavados antes de serem oferecidos a Deus (Lv 1.9).

Portanto, inferimos que não havia nada de intencional na atitude de Bate-Seba de banhar-se naquele momento e naquelas condições. Mas a história de Davi e Bate-Seba descreve minuciosamente o horror do pecado e a direção que ele assume. O primeiro passo levou ao adultério, à mentira, ao engano, ao assassinato e, finalmente, à morte de um filho. O elo entre o pecado e a restauração surge quando Davi admite seu pecado, e Natã diz que o Senhor o removeu (2Sm 12.13). Se Bate-Seba tinha parte da culpa não fica claro; todavia, quando Deus lhes diz, mediante o profeta Natã, que ama o filho deles, Salomão, e quer que se chame Jedidias, a restauração é tanto de Bate-Seba quanto de Davi. Se Deus pôde perdoar esse pecado terrível de Davi, Ele pode também perdoar qualquer que seja o pecado que aflige o homem neste momento.

A vida de todas as pessoas é maculada e manchada com o pecado. Todavia, nós, mulheres, que amamos a Deus e amadas por Ele, podemos desfrutar a promessa e a realidade de seu perdão, pois, nenhum pecado, por mais terrível que seja, pode arruinar uma vida inteira. A purificação e perdão devem ser recebidos com alegria renovada pela salvação que Jesus Cristo nos ganhou.

Luzelucia Ribeiro Da Silva

Luzelucia Ribeiro Da Silva

Professora, pastora, escritora, capelã hospitalar e psicanalista. Licenciada em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena-SP (1987); Bacharel em Teologia pelo Instituto Bíblico das Assembleias de Deus em Pindamonhangaba-SP (1980), Ciências Teológicas pela Faculdade Boas Novas, Manaus-AM (2012); pós-graduada em Docência do Ensino Superior (AVM) (2009) e Revisão de Texto (2012). Com diversas obras publicadas como Tributo ao IBAD – 2002; Mulheres da Bíblia – 2002; Escola Dominical: a formação integral do cristão – 2008 (coautoria com Berenice Firmino Reis Araújo); Mulheres do Novo Testamento – 2011; Fundamentos da Educação Cristã – 2018; Memórias do IBAD – 2021; Rute & Ester: a fé e a coragem das mulheres - 2021 (coautora com Berenice Araújo); Jó, Provérbios, Eclesiastes e Cântico dos Cânticos (2024); comentarista das Revistas da Escola Dominical: Maturidade e Mordomia do Cristão (2013); Rute & Ester: a fé e a coragem das mulheres (2021) e Jó, Provérbios, Eclesiastes e Cântico dos Cânticos (2024). É membro da Academia Evangélica de Letras do DF – AELDF/DF.

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