Charlie Kirk, 31 anos, ativista político de direita, marido de Erika Frantzve, pai de duas crianças, cristão – membro da igreja do Calvário, foi morto com um tiro no pescoço enquanto fazia um de seus eventos no debate público: “Prove me wrong” (Prove-me que estou errado).
Nigéria, país africano que fica no Golfo da Guiné, com cerca de 210 milhões de habitantes, parte da janela 10/40, perseguidora de cristãos, mata mais de 7 mil cristãos apenas nesse ano (2025).
Sabe o que essas notícias, eu e você temos em comum? Nossa família está sendo morta ao redor do mundo, os nossos irmãos sofrem perseguições e são brutalmente assassinados, enquanto vivemos a nossa vida do dia a dia fechando os olhos para a perseguição, enquanto essa não está no quintal da nossa casa, como se nada disso acontecesse.
A mídia também tem algo em comum comigo e com você quando escolhe não noticiar o genocídio que nossos irmãos sofrem. Eu e você também não queremos saber, essa é a verdade. A vida já é tão corrida, a Nigéria fica do outro lado do Atlântico, até Charlie morrer, eu nem sabia quem ele era… enfim, se eu não vejo, se eu não sinto, não me importa. A verdade é que importa, sim!
Em Gênesis, a primeira família da terra experimentou a dor da perda e do assassinato. O primeiro assassinato de um ser humano aconteceu em Gênesis 4, quando é contada a história de Caim e Abel. Dois irmãos. Um, com ciúmes do outro, o matou, apesar da advertência de Deus (Gn 4:6-7). Quando o assassinato acontece, a reação de seus pais não é descrita na Bíblia, mas apenas a reação de Caim e de Deus. Em conversa, Deus pergunta sobre Abel, já sabendo o que tinha ocorrido a ele. Caim, em arrogância, perguntou se ele era o guardador de seu irmão para que soubesse de algo. Então, Deus diz: “O que você fez? O sangue de seu irmão clama da terra a mim”. (v.10). Querida, sabe quem se importou com Abel? O nosso Mestre, o nosso exemplo, Ele se importou. Mesmo que Abel já estivesse na glória, ou esperando a ressurreição dos justos (como você acreditar), Deus não “deixou pra lá”, porque o sangue de Abel CLAMAVA da terra ao seu Criador. O sangue dos mártires, dos nossos irmãos injustiçados, perseguidos, maltratados, molestados, feridos, esfolados, clama ao Senhor da terra ainda hoje. Clama por justiça. Mas nós, aqueles que estão vivendo suas vidas medíocres e insignificantes para o Reino tantas vezes, fechamos os nossos olhos.
Lembro-me vividamente o quanto eu me coloquei no lugar dos cristãos decapitados em um vídeo gravado pelo Estado Islâmico (ISIS) em uma praia na Líbia em 15 de fevereiro de 2015 quando eles foram chamados pelos próprios terroristas de “O POVO DA CRUZ”. Enfim, eles acertaram ao nomear aqueles mártires como O POVO DA CRUZ. Eu me vi naqueles mártires, porque eu servia ao mesmo Deus que eles. Eu amava e honrava ao mesmo Senhor que deu a vida por nós em uma cruz. Eu também era aquele povo da cruz decapitada naquela praia. Cada um deles, com uma serenidade notória me fez pensar e refletir, e até hoje continua me fazendo pensar. Aquele sangue derramado nas areias daquela praia na Líbia clama ao Senhor por justiça ainda hoje e o Rei da glória e da justiça VEM! ELE VEM!
Por fim, quero contar que no ano de 2006 estive na JOCUM em Goiânia -GO por 5 meses participando da ETED (escola de treinamento e discipulado – com foco em missões). Nesse período, estava um dia decorando a capa da minha bíblia com algumas imagens e palavras que eu recortava de uma revista. Uma frase com um grupo de jovens de mãos erguidas me chamou muito a atenção: “What are you living for?” (Pelo que você está vivendo?). Por muito tempo, essa frase martelou o meu coração e, ainda hoje, em alguns momentos, ela volta a martelar. Uns vivem pelo dinheiro, outros por curtidas e likes nas redes sociais, outros vivem pelo sexo desenfreado, pela busca de prazeres para satisfazer o corpo; outros vivem por drogas, outros vivem para o trabalho, pelo culto ao corpo; outro vivem pelos seus sonhos, por fazer, por ter, por ser conhecido. Mas aqueles jovens, citados naquela revista, viviam por DEUS. Meu Deus, eu pensei, jovens que não pensam nos seus próprios sonhos ou nos desejos da sua carne, mas negam-se a si mesmos para viver por Jesus? Isso realmente existe? (Sim, e eu estava em um treinamento missionário justamente para jovens). Parecia que aquele treinamento não estava tão isolado naquele momento. Existiam outros jovens ao redor da terra tentando viver para Jesus, carregando a sua cruz, pregando e falando do amor de Deus. Sim, esse era um movimento real! E desde então, ao viver, caminhando e existindo, trabalhando e me divertindo, volta e meia essa pergunta volta a martelar a minha mente: “Pelo que você está vivendo, Rebeca?”. Nossos irmãos na Nigéria, na praia da Líbia, no deserto, pessoas como Charlie Kirk viveram até o último segundo de suas vidas para Deus. Foram perseguidos, ameaçados, e, por fim, mortos. A vida não foi mais preciosa aos seus olhos, nem seus filhos, nem seus cônjuges, nem seus empregos, sonhos, vida social, dinheiro, prazeres. Eles estavam vivendo pelo Mestre e pelo Mestre morreram. Pelo que eu e você estamos vivendo? Estamos nos importando? Somos realmente o povo da cruz?
“E chamando a si a multidão com seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me.” (Marcos 8:34).