Glicemia em alta e a pele em baixa

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Geralmente, procuramos um profissional da Estética para manter a saúde da nossa pele, seja da face ou do corpo. Isso é muito benéfico e contribui para o nosso bem-estar. No entanto, entender como o nosso corpo funciona internamente é essencial para alcançarmos resultados mais eficazes externamente, refletidos diretamente na nossa pele.

Tudo o que ocorre dentro do nosso organismo pode, em muitos casos, se manifestar na pele. Se algo não vai bem internamente, a pele pode ser o primeiro órgão a sinalizar.

Um bom exemplo disso é a diabetes, uma doença metabólica que compromete o metabolismo celular e da matriz extracelular, dificultando a eliminação de toxinas e a distribuição de nutrientes aos órgãos. Quando instalada, a diabetes não dá trégua ao corpo, causando danos internos e se refletindo externamente com a glicemia em alta e a pele em baixa, deixando-a desidratada, sensível, suscetível a irritações e até a dermatites.

Mas como essas alterações prejudiciais acontecem na pele? Vamos entender um pouco sobre a diabetes.

De forma simples: os alimentos ingeridos são digeridos no intestino, transformando-se em glicose (açúcar), que é absorvida pelo sangue. Nossos órgãos são formados por tecidos compostos por células, que necessitam de energia para manter suas funções em dia. Essa energia vem da glicose. Para ser utilizada pelas células, no entanto, é necessária a presença da insulina, um hormônio produzido pelo pâncreas. Quando há deficiência na produção ou na utilização da insulina, a glicose permanece no sangue, resultando em hiperglicemia, um dos principais sinais da diabetes.

Existem dois principais tipos de diabetes:

  • Tipo 1: pode surgir na infância ou adolescência. O tratamento inclui insulina, medicamentos, avaliações regulares, mudanças alimentares e práticas de atividade física.
  • Tipo 2: ocorre quando o organismo não utiliza bem a insulina produzida ou não a produz em quantidade suficiente. É mais comum que o tipo 1 e também requer controle alimentar, atividade física e uso de medicamentos.

E onde a pele entra nisso?

A hiperglicemia afeta diretamente as células da pele, provocando:

  • Comprometimento da barreira cutânea, reduzindo a hidratação e aumentando a perda de água transepidérmica, o que compromete a função de proteção da pele;
  • Aumento da sensibilidade cutânea;
  • Cicatrização mais lenta, pois a glicemia elevada prejudica a irrigação sanguínea, dificultando a recuperação de feridas;
  • Redução da resposta imunológica, facilitando infecções fúngicas e bacterianas;
  • Glicação das proteínas da pele, formando produtos finais de glicação (AGEs), que aceleram o envelhecimento e a rigidez cutânea;
  • Perda de sensibilidade, devido à afetação dos nervos receptores;
  • Espessamento da pele nas mãos e pés, ressecamento, rachaduras, e surgimento de manchas como a acantose nigricans (escurecimento e espessamento de dobras da pele).

Isto pode ser diferente? Com certeza.

Cuidados com a alimentação são fundamentais. Reduza gradualmente o consumo de açúcar no café, chá e sucos, doces, pães, bolos e outros tantos que após ingeridos se transformam em açúcar no organismo. Prefira o açúcar natural das frutas, beba bastante água e pratique exercícios físicos diariamente.

Para a pele, evite banhos quentes, esfolie com moderação e hidrate sempre. Use roupas confortáveis, permita que a pele respire e evite a exposição solar excessiva, sempre buscando o equilíbrio.

Opte por ativos cosméticos com propriedades hidratantes, nutritivas e renovadoras, como óleo de semente de uva e óleo de rosa mosqueta, que promovem maciez à pele.

Alguns ativos cosméticos contribuem para melhorar a estrutura da pele, reduzindo rugas, aumentando a hidratação e diminuindo a sensibilidade. Entre eles estão: 

  • Alga vermelha, 
  • Vitamina E, 
  • Ácido hialurônico, 
  • Cártamo 
  • Betaglucan, 
  • Carnosina
  • Aveia coloidal, Bioskin (equilibra o microbioma), 

Ttrans-resveratrol (antioxidante, anti-inflamatório, melhora a elasticidade e firmeza da pele), 

  • Macadâmia, entre outros. 

Esses ativos ajudam na manutenção e recuperação da pele, favorecendo a autoestima do paciente diabético.

A hidratação cutânea é essencial para manter a água na epiderme, contribuindo para o manto hidrolipídico (composto de água, suor e sebo), que protege a pele de agressões externas. Em uma pele saudável, há equilíbrio na produção de colágeno, elasticidade e controle da perda de água, influenciados por idade, estilo de vida e outros fatores.

Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), em 2021, 15,8 milhões de pessoas conviviam com a doença no Brasil, afetando significativamente a autoestima e a qualidade de vida, inclusive pelas alterações na pele.

E o mais importante: a melhor solução é cuidar do corpo agora para viver com mais saúde no futuro. Em muitos casos, a diabetes não nos escolhe; somos nós que, inconscientemente, a convidamos a entrar em nossa vida.

Referências:

  1. CUSTÓDIO, J. Cosméticos com extrato de alga e girassol podem beneficiar pele diabética. Jornal da USP, São Paulo, 22 set. 2023. Disponível em: https://jornal.usp.br/ciencias/cosmeticos-com-extrato-de-alga-e-girassol-podem-beneficiar-pele-diabetica/. Acesso em: 08 jun. 2025.
  2. NICASTRI, A. L. Avanços em Cosmiatria. São Paulo: Editora LMP, 2012.
  3. RENNO, A. C. M.; MARTIGNAGO, C. C. S. (Orgs.). Manual Prático de Cosmetologia e Estética: do Básico ao Avançado. Barueri, SP: Editora Manole, 2022.
  4. SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Tipos de Diabetes. Disponível em: https://diabetes.org.br/tipos-de-diabetes/. Acesso em: 08 jun. 2025.
  5. TULÍPIA COSMÉTICOS. Glossário de Ativos Cosméticos. Disponível em: https://tulipia.com.br/principios-ativos-cosmeticos. Acesso em: 08 jun. 2025.
Marta Barbosa

Marta Barbosa

Biomédica formada pela UNIP Santos, Pós em Biomedicina Esteta - IPESSP São Paulo-SP, Técnica em Estética - Senac Santos-SP. Docente em curso Técnico em Estética, e cursos livres, ministrando técnicas como Depilação com cera e linha, Massagem relaxante, Drenagem linfática manual no Senac Santos-SP.

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