Aprendendo sobre as mulheres da Bíblia – Noemi

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Noemi significa agradável. Ela viveu em um dos períodos mais difíceis da história do povo de Israel, entre a transição do livro de Juízes para a narrativa de Samuel, quando a maldade e a anarquia eram características do período dos juízes. A região onde morava foi devastada muitas vezes pela fome, fazendo com que muitos judeus deixassem sua terra e fossem em busca de lugares mais férteis e hospitaleiros e foi em uma dessas ocasiões que a família de Noemi teve que se mudar de Belém (casa do pão) para a terra de Moabe.

Seu marido morreu em Moabe e ela ficou com seus dois filhos, Malom e Quiliom. Os dois casaram-se com mulheres moabitas, porém o Senhor levou seus dois filhos, quando estes já eram casados. Apenas suas noras permaneceram, elas não eram de seu povo, nem serviam a seu Deus. Reduzida então à extrema pobreza, Noemi decidiu voltar para Belém, pois ouvira que em Belém o pão agora era abundante. Ela deixou Moabe acompanhada de suas duas noras, quando era praticamente uma mulher idosa. Mas só uma nora fez a jornada de volta com Noemi.

O caminho de volta foi muito difícil para Noemi, mas finalmente ela avistou sua amada Belém e em sua companhia estava Rute, sua nora, que não se permitiu abandonar a sogra no retorno a sua terra. Os habitantes da cidade observavam Noemi e a companhia que ela carregava consigo. O texto diz: “entrando elas em Belém, toda a cidade se comoveu por causa delas, e diziam: Não é esta Noemi?” (Rt 1.19). Com lágrimas nos olhos, a desgastada mulher respondeu: “Não me chameis Noemi; chamai-me Mara; porque grande amargura me tem dado o Todo-Poderoso” (Rt 1.20).

Noemi estava muito presa ao passado, àquilo que tivera e que lhe fora tirado. Não podia compreender que havia algo de bom dentro dos propósitos divinos em tudo que lhe aconteceu. Noemi não conseguia ver nada além de seu sofrimento. Como muitas de nós, ela pode ter sentido que suas tragédias eram um castigo por seus pecados. Todavia, se conhecesse as bênçãos que lhe estavam reservadas, talvez não se sentisse tão desesperançada. Noemi era pobre e se sustentava com as espigas que Rute juntava nos campos enquanto seguia os ceifeiros. Os planos que Noemi fez para Rute diferiam dos planos a que estamos acostumados, mas seguiam os costumes daqueles dias em Belém.

Na história de Noemi podemos constatar a fidelidade de Deus em restaurar à plenitude uma vida vazia. A fome que expulsou Noemi, o marido e os filhos de Belém é finalmente substituída por colheitas fartas e pão assado com grãos colhidos nos campos. A angústia de perder o marido e os filhos é substituída pelo cuidado e carinho da nora, Rute, que é “melhor para Noemi do que sete filhos” (Rt 4.15). Os braços maternais vazios de Noemi também são preenchidos com o filho de Boaz e de Rute. Ela não é uma avó ausente. As Escrituras dizem que Noemi tomou Obede e “o pôs no regaço e entrou a cuidar dele” (Rt 4.16).

Podemos também, como Noemi, ter dificuldade em reconhecer a bondade de Deus e sua fidelidade, mas Ele continua conosco em todas as circunstâncias. Mesmo tendo sofrido uma tragédia tríplice, Noemi não escondeu sua tristeza e amargura; por crer na soberania de Deus, atribuiu seu sofrimento a vontade Dele, mas sua fixação nas circunstâncias, tanto passadas como presentes, levou-a à desesperança por um tempo. No entanto,  Noemi superou sua amargura e voltou a ser gentil e amorosa como antes. Deus honrou essa mulher abandonada de uma forma excepcional.

Os dias de amargura e tristeza ficaram para trás. Não poderia jamais sentir-se só ou abandonada, infeliz e amargurada, pois o amor de Rute, o cuidado de Boaz e o sorriso de Obede, seu neto, eram as maiores riquezas que ela possuía. E esta riqueza estava ligada também à genealogia de um dos maiores reis de Israel: Davi, de cuja linhagem haveria de nascer o Messias.

Luzelucia Ribeiro Da Silva

Luzelucia Ribeiro Da Silva

Professora, pastora, escritora, capelã hospitalar e psicanalista. Licenciada em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena-SP (1987); Bacharel em Teologia pelo Instituto Bíblico das Assembleias de Deus em Pindamonhangaba-SP (1980), Ciências Teológicas pela Faculdade Boas Novas, Manaus-AM (2012); pós-graduada em Docência do Ensino Superior (AVM) (2009) e Revisão de Texto (2012). Com diversas obras publicadas como Tributo ao IBAD – 2002; Mulheres da Bíblia – 2002; Escola Dominical: a formação integral do cristão – 2008 (coautoria com Berenice Firmino Reis Araújo); Mulheres do Novo Testamento – 2011; Fundamentos da Educação Cristã – 2018; Memórias do IBAD – 2021; Rute & Ester: a fé e a coragem das mulheres - 2021 (coautora com Berenice Araújo); Jó, Provérbios, Eclesiastes e Cântico dos Cânticos (2024); comentarista das Revistas da Escola Dominical: Maturidade e Mordomia do Cristão (2013); Rute & Ester: a fé e a coragem das mulheres (2021) e Jó, Provérbios, Eclesiastes e Cântico dos Cânticos (2024). É membro da Academia Evangélica de Letras do DF – AELDF/DF.

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