“Quem esconde o ódio se torna mentiroso, quem espalha calúnias é tolo”. (Pr. 10:18)
Há alguns dias, esse tema tem aparecido com frequência em minha mente. Fofoca, calúnia, falar mal. Se você, como eu, nasceu na igreja, você já deve ter ouvido muito sobre a fofoca, e existem várias passagens bíblicas que falam sobre isso. Porém, essa, em especial, saltou-me aos olhos essa manhã. No inglês, o final dessa passagem está assim: “caluniar os outros faz de você um tolo”. É interessante que quem está falando mal do seu próximo inevitavelmente está se colocando numa posição de superioridade a ele, mostrando que o “defeito” do seu irmão não está nele próprio. Que criatura evoluída! (Contém ironia).
Quando meu pai, um pastor batista, falava sobre a fofoca na igreja, ele dizia que a fofoca só existia porque tinha alguém para ouvi-la. E, infelizmente, muitas vezes a informacão passada através da fofoca não é verdade, e, a partir desse momento, torna-se calúnia e difamação, porque, sim, é passada para frente.
Porque eu era filha de pastor e vivia numa casa onde raramente falávamos dos outros, cresci sem muita maledicência em minha vida. Depois de adulta, convivendo com outras pessoas que não eram mais o meu núcleo familiar, vi-me no meio de conversas onde o outro era sempre o centro do assunto e isso começou a me incomodar. Falávamos de alguém pelas costas e, no dia seguinte, eu encontrava essa pessoa na rua. Quando, na roda da fofoca, o assunto era essa pessoa que ao menos podia estar lá para se defender, em frente àquela pessoa na rua, eu me sentia mal por sorrir, por tratá-la bem, como amiga. Por acaso quem fala
Mal de você é seu amigo?
Algumas vezes o Espírito Santo me incomodava na roda da maledicência e eu saía de perto. Outras vezes, o
Espírito Santo me incomodava ao encontrar o “assunto principal” do dia anterior na rua – e essa era sempre a parte mais difícil.
É verdade que muitas vezes o nome de alguém surge numa conversa devido a uma novidade em sua vida como um casamento, um novo trabalho, o nascer de um filho, porém no momento em que eu começo a fazer observações maldosas, divagações pessoais do meu enganoso coração sobre essa pessoa, isso já passou de uma conversa saudável para uma calúnia, fofoca, difamação. (Você sabia que a difamação está prevista no código penal brasileiro, no artigo 139?). Não necessariamente, a difamação precisa ser mentira, às vezes a “informação” passada na rodinha de amigas está correta, porém nenhum de nós está apto a apontar o cisco nos olhos do outro enquanto existe uma trave no seu. E ninguém está autorizado pelo Senhor a se colocar numa posição de superioridade em relação aos seus irmãos. Pelo contrário. “Não sejam egoístas, nem tentem impressionar ninguém. Sejam humildes e considerem os outros mais importantes que vocês”. (Filipenses 2:3).
Lembre-se que ao falar mal de seu irmão, seja verdade ou mentira (calúnia), você estará se tornando tola (ou aquele que não tem inteligência ou juízo).
“As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na tua presença, Senhor, Rocha minha e Redentor meu!” (Salmos 19:14)