Débora no original significa mel de abelha, ou simplesmente abelha, e é incrível a história de uma mulher tão notável quanto esta. Embora mulheres como líderes fossem raras na sociedade israelita, não deixaram de existir. No período dos juízes, quando Israel achava-se enfraquecido espiritualmente, em desordem civil e oprimido por seus inimigos, Débora enfrentou o desafio. Seu papel de liderança desenvolveu-se, provavelmente, aos poucos, à medida que sua sabedoria para fazer julgamentos veio a tornar-se conhecida. Débora foi a única mulher a manter a posição de juíza em Israel, mas não era a única profetisa, sendo várias outras mencionadas nas Escrituras.
Descrevendo-se a si mesma, Débora não usou termos como profetisa, mulher, juíza, general, líder ou qualquer outro denotando influência ou poder, mas descreveu-se como “mãe em Israel” (Jz 5.7). Sua posição era a de mãe não só para seus filhos biológicos, mas também para todos os filhos de Israel. Embora eles tivessem esquecido não quem eram, mas também a quem serviam, sua mãe, Débora, lembrou-se e guiou-os numa procissão vitoriosa para a paz. Ela atendia o povo debaixo da “Palmeira de Débora”, onde costumava sentar-se na região montanhosa de Efraim. Os israelitas tornaram a ofender ao Senhor quando Eude morreu, e o Senhor os deixou cair em poder de Jabim, rei dos cananeus, e do seu poderoso comandante, general Sísera. Durante vinte anos, passaram por violenta servidão, sofrendo todo tipo de males.
Sísera deve ter-se sentido arrogantemente seguro, em particular pelo fato de Israel ser, então, liderado por uma mulher. Mas seus cálculos militares deixaram de levar em conta uma variável importante: o poder estratégico da fé possuída por aquela mulher. Débora mandou chamar Baraque, um judeu do Norte, e lhe disse claramente: “Porventura, o Senhor, Deus de Israel, não deu ordem, dizendo: Vai, e leva gente ao monte Tabor, e toma contigo dez mil homens dos filhos de Naftali e dos filhos de Zebulom? E farei ir a ti para o ribeiro Quisom, a Sísera, comandante do exército de Jabim, com os seus carros e as suas tropas; e o darei nas tuas mãos.”
Como todos os outros homens de Israel, Baraque estava com medo de Sísera e recusou-se a obedecer, exceto com uma condição: Débora devia acompanhá-lo. Ela seria o seu talismã no dia da batalha. Ela respondeu: – Certamente, irei contigo, mas não será tua a honra da investida que empreende; pois às mãos de uma mulher o Senhor entregará a Sísera (Jz 4.4,6,9). A relutância de Baraque em partir sem Débora revelou claramente a falta de uma liderança masculina forte em Israel.
A esposa de Lapidote tinha uma reputação sólida e confiável. Com a ajuda de Baraque, ela organizou um pequeno exército permanente entre o povo, treinou e inspirou o chefe desse exército, Baraque, e deu-lhe instruções sobre como apresentar a batalha a Sísera, o general do exército de Jabim. Sua capacidade militar era evidente, sendo provada pelo fato de que Baraque exigiu que Débora o acompanhasse na batalha. A derrota de Sísera foi completa. Ele mesmo morreu em sua fuga pelas mãos de uma mulher, enquanto descansava exausto em uma tenda. Deus realizou uma grande vitória por meio de uma mulher. Seu heroísmo contagiou todos naquele dia. Ainda hoje Deus escolhe mulheres e implanta nelas o temor do Seu nome.