Durante toda a minha vida, trabalhei com o louvor na igreja. Comecei a fazer solos quando era bem pequena, ensaiada pela minha mãe. Depois, estudei piano, tocava e cantava na igreja. Trabalhei com corais, conjuntos, equipes de louvor, e passei por muitas igrejas. Minha família toda vem da denominação Batista, mas nem por isso todas as igrejas batistas são iguais. Já fui de igrejas mais animadas, e outras bem tradicionais. Quando conheci meu marido, ele já era da presbiteriana e toda a sua família também. Dessa forma, comecei a segui-lo na presbiteriana. E descobri outra grande diferença entre cultos e adoração. Aprendi muitas músicas, e entre uma igreja e outra, algumas músicas não eram cantadas, então, deixei de cantar algumas músicas também. O louvor sempre foi assunto de discussão por todas as igrejas que passei e denominações que conheço. Cada uma delas criando suas próprias regras, pautadas nas suas crenças e doutrinas.
Por amar a música, já me incomodei bastante e me irritei com o que pessoa A ou B pensava sobre a música e sobre como eu deveria me comportar dentro da igreja relacionado com a música. Mas, afinal, o que Deus permite? Ou que eu posso ou não posso fazer na presença do Senhor? O que Deus condena? O que é ser livre para adorar?
Meu tio foi missionário na África por mais de 20 anos, e agora comanda uma equipe de missionários que são enviados para toda parte do mundo. Enquanto ele estava na África, ele mandava vários vídeos dos cultos nas igrejas, muitas vezes, sem o básico, como piso, parede, teto ou bancos para se sentar. Pela cultura africana, a música sempre vem acompanhada de danças e palmas. Os corais entram dançando, louvando ao Senhor com todo o seu corpo. A adoração é empolgante – como eu gosto. Entretanto, muitas outras igrejas, com seus coros sacros, vozes bem divididas e postura impecável, também adoram a Deus do seu modo, na sua cultura.
A Palavra de Deus é ampla em falar sobre a Adoração, principalmente no livro de Salmos. E ampla não somente com seus textos e versículos, mas com a forma de adorar, com os instrumentos usados, com as palavras e expressões.
“Louvai ao Senhor com harpa, cantai a Ele com saltério e com instrumento de 10 cordas. Cantai-lhe um cântico novo; tocai bem e com júbilo”. (Sl 32:2-3)
“Assim eu te bendirei enquanto eu viver; em Teu Nome levantarei as minhas mãos”. (Sl 63:4)
“Com trombetas e som de cornetas, exultai perante a face do Senhor, do Rei”. (Sl 98:6)
O que determina a ação do Espírito Santo num culto ou na vida de um cristão, e, portanto, o termômetro dessa igreja, é, sem dúvida, a comunhão e o compromisso que esse corpo tem com Cristo verdadeiramente, e não o estilo de música que é tocado nos cultos, ou os instrumentos que são usados no louvor. Li alguns livros a respeito do louvor, da adoração, de danças nos cultos, e o que eu tirei desses ensinamentos é que Deus está perto daquele que tem o coração inclinado para Ele, daquele que tem uma comunhão íntima e verdadeira com o Senhor. A expressão de um adorador, da forma como ele foi criado, ou mais contido, ou mais animado, só vai nos mostrar aquilo que ele é por fora, mas só Deus consegue ver por dentro. Nossa adoração vai muito além das músicas entoadas nas igreja, portanto, saiba que você é sim livre para adorar o Senhor com todo o significado que a palavra LIBERDADE contém. Deus está muito mais interessado naquilo que está dentro do seu coração, do que com a sua voz, com as suas palmas ritmadas ou fora do ritmo, com os seus passos de alegria, ou seu espírito contido. Todo ser que respira louve ao Senhor. Louvai ao Senhor.