O corpo ansioso

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Eu tenho TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada). Sinto dores pelo corpo, sinto ansiedade que vai além daquela normal e “saudável”; muitas vezes como mais do que o normal e satisfatório, outras, não consigo comer. Por vezes, os pensamentos aceleram, as mãos suam frio, e a respiração encurta. Por isso, constantemente preciso me lembrar das promessas de Deus, do seu cuidado e de sua proteção. Preciso me lembrar que as mãos que sustentam o mundo, são as mesmas que me sustentam, que sustentam os meus amados.

Recentemente, passei pela perda do meu pai. Apesar de termos orado, clamado, buscado, crido, jejuado, Deus não nos atendeu como gostaríamos. Não é fácil ter que lidar com isso, com esse “não” de Deus tão doloroso (o pior da minha vida). E, por conta disso, quantas vezes eu me vi perdida sem conseguir descansar novamente nos cuidados de Deus, porque, pela minha ótica, Ele não cuidou do meu pai. 

“O coração humano é mais enganoso do que qualquer coisa e é extremamente perverso; quem sabe, de fato, o quanto é mau?”(Jeremias 17:9 – NVT). Nós, criaturas de um Deus Criador e perfeito em tudo o que faz, fomos deformados pelo pecado. Como criaturas imperfeitas de um Criador perfeito, nossa OBRIGAÇÃO é confiar e descansar nele, independente de como usamos nossa régua medidora de bondade, misericórdia e justiça. Eu não acho que meu pai deveria ter sofrido tudo o que sofreu. Humanamente, eu não acho justo. Meu pai era um bom homem, um pregador, um homem de Deus. Meu pai era novo, e sempre tinha palavras de sabedoria para nos passar, e ainda assim sofreu muito tempo e com dores excruciantes. Mas quem sou eu para que meça a bondade e a misericórdia de Deus? Quem sou eu para que fale de justiça com o Justo Juiz? E você pode adicionar aí a essa lista, os inocentes mortos com o terrorismo do Hamas, por exemplo. Quantas crianças mortas, e outras enjauladas! Quantas famílias destroçadas e quantas mulheres sendo covardemente estupradas a todo o instante? Meu Deus, jamais saberemos a profundidade de todas as atrocidades cometidas! E que justiça é essa? A divina não é. Sei disso.

O desespero, a culpa e a ansiedade latentes também são frutos da minha e da sua deficiência causadas pelo pecado. O pecado nos afligiu tão fortemente que todo o nosso corpo é perecível; é morada presente, mas não será morada eterna. Nossa mente sofre, nosso organismo sofre. Se existe algo que devemos nos apegar para tentar de alguma forma minimizar esse sofrimento terreno é a certeza que o meu pai tinha nos seus últimos meses (e por tanto tempo antes disso): Nós estamos todos na palma das mãos do Senhor. A verdade é que só acontecerá conosco aquilo que desde antes da fundação do mundo, já havia sido escrito no Livro de Deus. Todos os nossos dias, contados e determinados. (Jó 14:5 / Salmos 139:16). E a certeza de que nós somos do Senhor. Não de nós mesmos. E nossos amados também não são nossos. 

Eu tenho TAG, mas não quero ter para sempre. Independente do que fale a medicina, a psicologia, a psiquiatria, eu sei que minha vida está nas mãos de Deus e só Ele pode determinar como serão meus dias. O meu dever diante disso é CRER. Apenas isso. E para você que está se perguntando, crer em QUÊ não seria a pergunta correta, mas crer em QUEM. Dia após dia como um exercício de aprendizado para vencer o medo e a ansiedade latente, como uma escalada em uma escada, lançando sobre Ele toda a minha ansiedade na certeza de que Ele tem cuidado de mim (1 Pedro 5:7); não com a minha régua de justiça ou de bondade e compaixão, mas com a régua do Criador Perfeito, do Deus onisciente e onipotente. Descansando nas suas doces e poderosas mãos.

Rebeca Balaniuc

Rebeca Balaniuc

Rebeca Balaniuc, 38 anos, é mãe de dois filhos e esposa de um pastor presbiteriano. Formada em Letras com habilitação em Inglês, possui pós-graduação em Linguística e em Tradução. Como professora bilíngue, Rebeca tem se dedicado à educação e ao ensino de idiomas, com um amor especial pela língua inglesa. Ela reside em Campinas, SP, e além de sua paixão pelo ensino, é uma entusiasta da escrita, do canto e do piano. Sua motivação e inspiração vêm de sua fé em Deus, que orienta sua vida e seu trabalho.

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